O adequado estado nutricional antes e durante a gravidez é importante para a boa evolução da gestação e bom desenvolvimento do feto. Para isso, é recomendada uma dieta balanceada e variada, com ingestão frequente de frutas, vegetais, grãos integrais, laticínios com baixo teor de gordura, carne magra, peixe, legumes e nozes, além da redução do consumo de carne vermelha e processada e bebidas açucaradas.1

Em um estudo realizado no Canadá, foram avaliadas 1.545 gestantes para identificar se existia associação entre o padrão de dieta consumida nos 12 meses anteriores à gravidez e o risco de desenvolver complicações na gestação. Quatro padrões de dieta foram identificados, que explicaram 23% da variação total na dieta:1

  • Padrão saudável, caracterizado pela ingestão frequente de vegetais verdes, outros vegetais, frutas (excluindo sucos), vegetais de cor
  • laranja, óleos, massa marrom ou arroz, peixe, tomate e macarrão branco.
  • Padrão carne e carboidratos refinados, caracterizado por ingestão mais frequente de carne vermelha, carne processada, pão branco, batatas fritas, assadas ou cozidas.
  • Padrão feijão, queijo e saladas, caracterizado por ingestão frequente de feijão e leguminosas, queijo e saladas de legumes.
  • Padrão chá e café, no qual as mulheres ingeriam mais frequentemente café, chá regular e descafeinado, leite com pouca gordura, leite gordo, natas e açúcar.

Os resultados da análise multivariada mostraram que o padrão de dieta saudável antes da gravidez associou-se com redução de 40% na probabilidade de desenvolver hipertensão gestacional. Nesse estudo não foi encontrada associação entre o padrão de dieta e diabetes mellitus gestacional (DMG), mas os autores relataram que maiores níveis de atividade física antes da gravidez reduziu o risco de desenvolver DMG em 20%.1

A relação entre dieta e DMG foi analisada por pesquisadores australianos em uma revisão sistemática de 40 estudos da literatura, englobando 30.871 gestantes. Os dados mostraram que dietas como a dieta do mediterrâneo (consumo de alimentos frescos e naturais, azeite, frutas, legumes, cereais, leite e queijo) e a dieta DASH, na sigla em inglês, que inclui abordagens para evitar a hipertensão, como reduzir o sal na dieta e ingerir alimentos ricos em nutrientes para diminuir a pressão arterial (potássio, cálcio e magnésio), associaram-se com diminuição do risco relativo de DMG em 15% a 38%.2

O maior consumo de batata aumentou a chance de DMG em 62% em comparação ao baixo consumo. A ingestão de proteínas de origem animal aumentou o risco de DMG em cerca de 50%, enquanto a ingestão de proteínas de origem vegetal associou-se com redução em 30%. O consumo de carnes e carnes processadas também aumentou o risco de DMG.2

Esse estudo também avaliou o papel da atividade física no risco de desenvolver DMG e encontrou que qualquer nível de atividade física antes da gestação ou no início da gravidez reduziu a chance de DMG em 30% e 21%, respectivamente, em comparação à ausência de atividade física. Realizar mais de 90 minutos por semana de atividade física no período de lazer antes da gravidez diminuiu a chance de DMG em 46%.2

Estilo de vida saudável e alimentação adequada devem fazer parte da rotina de qualquer indivíduo. Os dados desses dois estudos reforçam ainda mais a importância de iniciar o aconselhamento das mulheres sobre dieta e atividade física já antes da gravidez, devendo ser mantido durante o período gestacional.1,2

Referências

  1. Jarman M, Mathe N, Ramazani F, Pakseresht M, Robson PJ, Johnson ST, et al. Dietary patterns prior to pregnancy and associations with pregnancy complications. Nutrients 2018 Jul 17;10(7). pii: E914.
  2. Mijatovic-Vukas J, Capling L, Cheng S, Stamakis E, Louie J, Cheung NW, et al. Associations of diet and physical activity with risk for gestational diabetes mellitus: a systematic review and meta-analysis. Nutrients. 2018 May 30;10(6). pii: E698.