Novos estudos sugerem que gestantes podem transmitir coronavírus ao feto

30 julho, 2020

Três bebês na China podem ter contraído o novo coronavírus no útero, sugerem dois novos estudos publicados pelo JAMA (Journal of the American Medical Association). No entanto, especialistas dizem que as evidências ainda são inconclusivas.

Os estudos identificaram que os recém-nascidos, nascidos de mães com Covid-19, apresentavam níveis elevados do anticorpo imunoglobulina M (IgM), que age contra o coronavírus e que geralmente não é transmitido pela placenta da mãe para o filho. Isso indica que o novo vírus pode ter rompido a barreira da placenta.

Fonte: New York Times

 

ENDOMETRIOSE

30 julho, 2020



Endometriose é caracterizada pelo crescimento estrogênio-dependente de tecido endometrial fora da cavidade uterina1. A prevalência exata é desconhecida, porém estima-se uma taxa de 2 a 10% das mulheres em idade reprodutiva.2
As principais queixas são dor e infertilidade.2 Está presente em 70-90 % das mulheres com queixa de dor pélvica3 e em 50 % dos casos de infertilidade em mulheres.2

O tratamento pode ser cirúrgico ou medicamentoso e o principal objetivo é o controle da dor e impedir o crescimento das lesões1, não há estudos comparando o tratamento cirúrgico com o medicamentoso, portanto não há como demonstrar superioridade de um em relação ao outro.3

As principais opções terapêuticas são:

Anti-inflamatórios não hormonais (AINH):

Primeira linha de tratamento no controle da dor3, porém, não há evidências científicas da sua eficácia.1

Contraceptivos hormonais combinados:

Frequentemente, a primeira linha de tratamento hormonal e são eficazes na diminuição da dor.1,2,3
São muito utilizados devido ao baixo custo, fácil administração, boa tolerabilidade e efeito contraceptivo.1,2
A administração contínua é melhor do que a forma cíclica para a redução da dor.4

Progestagênios:

Disponíveis em diferentes vias de administração como oral, transdérmica e intrauterina, estão se tornando populares no tratamento da endometriose.1

Estudos observacionais com acetato de medroxiprogesterona, acetato de noretindrona e didrogesterona demonstrou uma redução na dor em torno de 70 a 100%.
O dienogeste possui alta especificidade aos receptores de progesterona e menor efeito antiandrogênico.1 Além disso, estudos concluíram que seu efeito é superior ao placebo e eficácia semelhante ao analógo de GnRH.3 É bem tolerado e efeitos como sangramento irregular melhoram com o tempo de uso.1

O sistema intrauterino liberador de levonorgestrel (SIU- LNG) é uma outra abordagem terapêutica para endometriose e apresenta sucesso no controle da dor e altas taxas de satisfação das pacientes.1 Também são eficazes em pacientes com adenomiose e endometriose profunda retovaginal.1 O seu uso a longo prazo é seguro, significante diminuição da extensão da doença e quando inserido após a laparoscopia reduz os sintomas de dismenorreia.3 Além disso, o efeito no alívio da dor é semelhante ao análogo de GnRH.4

Outra via de administração é o implante subdérmico e apesar do relato de melhora da dor nas usuárias desse método contraceptivo, mais estudos são necessários para confirmar a sua indicação para o tratamento da endometriose.1

Agonistas de GnRH:

Resultados promissores no tratamento de endometriose como alívio dos sintomas e redução dos implantes visualizados em laparoscopia. Possuem menos efeitos colaterais quando comparados com os agonistas de GnRH.1

Antagonistas de GnRH:

Resultados promissores no tratamento de endometriose como alívio dos sintomas e redução dos implantes visualizados em laparoscopia. Possuem menos efeitos colaterais quando comparados com os agonistas de GnRH.1

Danazol:

Efetivo no tratamento da dor, porém é pouco tolerado pois causa sintomas de hiperandrogenismo como hirsutismo, acne e ganho de peso.3

Inibidores da aromatase:

Mais estudos são necessários3, portanto só devem ser prescritos após a falha de todos os tratamentos.2

Outros tratamentos demonstraram melhora da dor como reabilitação pélvica, psicoterapia, analgesia com drogas neurolépticas, acupuntura e medicina chinesa3, porém mais estudos são necessários para melhor determinação dos riscos e benefícios.2

A combinação da laparoscopia e a análise histológica das lesões é o padrão ouro do diagnóstico da endometriose2. Todas as lesões observadas precisam ser tratadas e a melhor técnica não é bem estabelecida. A proporção de pacientes com melhora da dor após a cirurgia é maior nos casos de endometriose3

O tratamento cirúrgico seguido de medicação proporciona um maior tempo de alívio dos sintomas do que apenas a cirurgia.3

A endometriose é uma doença crônica que interfere negativamente na qualidade de vida da mulher, necessita de um tratamento contínuo e possui altas taxas de recorrência. Com o melhor entendimento da fisiopatologia da doença, novas estratégias de tratamento estão sendo desenvolvidas com a esperança de evitar efeitos indesejáveis e eliminar as lesões sem afetar a função ovariana.1

Referências

  1. Rafique S, Decherney AH. Medical management of endometriosis. Clin Obstet Gynecol. 2017;60:485-496.
  2. Dunselman GA, Vermeulen N, Becker C et al. ESHRE guideline: management of women with endometriosis. Hum Reprod 2014;29:400-412.
  3. Practice Committee of the American Society for Reproductive Medicine. Treatment of pelvic pain associated with endometriosis. Fertil. Steril. 90 (Suppl.), S260-S269 (2008).
  4. Zorbas KA, Economopoulos KP, Vlahos NF. Continuous versus cyclic oral contraceptives for the treatment of endometriosis: a systematic review. Arch Gynecol Obstet. 2015;292(1):37-43
  5. Petta CA, Ferriani RA, Abrao MS, et al. Randomized clinical trial of a levonorgestrel-releasing intrauterine system and a depot GnRH analogue for the treatment of chronic pelvic pain in women with endometriosis. Hum Reprod. 2005;20(7):1993-1998
 

Cápsula vaginal de gel livre de hormônios pode ser alternativa à pílula anticoncepcional

2 julho, 2019

O adequado estado nutricional antes e durante a gravidez é importante para a boa evolução da gestação e bom desenvolvimento do feto. Para isso, é recomendada uma dieta balanceada e variada, com ingestão frequente de frutas, vegetais, grãos integrais, laticínios com baixo teor de gordura, carne magra, peixe, legumes e nozes, além da redução do consumo de carne vermelha e processada e bebidas açucaradas.1

Em um estudo realizado no Canadá, foram avaliadas 1.545 gestantes para identificar se existia associação entre o padrão de dieta consumida nos 12 meses anteriores à gravidez e o risco de desenvolver complicações na gestação. Quatro padrões de dieta foram identificados, que explicaram 23% da variação total na dieta:1

  • Padrão saudável, caracterizado pela ingestão frequente de vegetais verdes, outros vegetais, frutas (excluindo sucos), vegetais de cor
  • laranja, óleos, massa marrom ou arroz, peixe, tomate e macarrão branco.
  • Padrão carne e carboidratos refinados, caracterizado por ingestão mais frequente de carne vermelha, carne processada, pão branco, batatas fritas, assadas ou cozidas.
  • Padrão feijão, queijo e saladas, caracterizado por ingestão frequente de feijão e leguminosas, queijo e saladas de legumes.
  • Padrão chá e café, no qual as mulheres ingeriam mais frequentemente café, chá regular e descafeinado, leite com pouca gordura, leite gordo, natas e açúcar.

Os resultados da análise multivariada mostraram que o padrão de dieta saudável antes da gravidez associou-se com redução de 40% na probabilidade de desenvolver hipertensão gestacional. Nesse estudo não foi encontrada associação entre o padrão de dieta e diabetes mellitus gestacional (DMG), mas os autores relataram que maiores níveis de atividade física antes da gravidez reduziu o risco de desenvolver DMG em 20%.1

A relação entre dieta e DMG foi analisada por pesquisadores australianos em uma revisão sistemática de 40 estudos da literatura, englobando 30.871 gestantes. Os dados mostraram que dietas como a dieta do mediterrâneo (consumo de alimentos frescos e naturais, azeite, frutas, legumes, cereais, leite e queijo) e a dieta DASH, na sigla em inglês, que inclui abordagens para evitar a hipertensão, como reduzir o sal na dieta e ingerir alimentos ricos em nutrientes para diminuir a pressão arterial (potássio, cálcio e magnésio), associaram-se com diminuição do risco relativo de DMG em 15% a 38%.2

O maior consumo de batata aumentou a chance de DMG em 62% em comparação ao baixo consumo. A ingestão de proteínas de origem animal aumentou o risco de DMG em cerca de 50%, enquanto a ingestão de proteínas de origem vegetal associou-se com redução em 30%. O consumo de carnes e carnes processadas também aumentou o risco de DMG.2

Esse estudo também avaliou o papel da atividade física no risco de desenvolver DMG e encontrou que qualquer nível de atividade física antes da gestação ou no início da gravidez reduziu a chance de DMG em 30% e 21%, respectivamente, em comparação à ausência de atividade física. Realizar mais de 90 minutos por semana de atividade física no período de lazer antes da gravidez diminuiu a chance de DMG em 46%.2

Estilo de vida saudável e alimentação adequada devem fazer parte da rotina de qualquer indivíduo. Os dados desses dois estudos reforçam ainda mais a importância de iniciar o aconselhamento das mulheres sobre dieta e atividade física já antes da gravidez, devendo ser mantido durante o período gestacional.1,2

Referências

  1. Jarman M, Mathe N, Ramazani F, Pakseresht M, Robson PJ, Johnson ST, et al. Dietary patterns prior to pregnancy and associations with pregnancy complications. Nutrients 2018 Jul 17;10(7). pii: E914.
  2. Mijatovic-Vukas J, Capling L, Cheng S, Stamakis E, Louie J, Cheung NW, et al. Associations of diet and physical activity with risk for gestational diabetes mellitus: a systematic review and meta-analysis. Nutrients. 2018 May 30;10(6). pii: E698.
 

Cápsula vaginal de gel livre de hormônios pode ser alternativa à pílula anticoncepcional

2 julho, 2019

Segundo a pesquisa, contraceptivo não produz efeitos colaterais indesejados

Pesquisadores da Suécia estão desenvolvendo um contraceptivo livre de hormônios e sem efeitos colaterais. O material, em forma de gel, "fecha" a barreira mucosa presente no colo do útero e impede a fertilização. Geralmente, essa barreira fica naturalmente frouxa durante a ovulação, permitindo que o espermatozoide penetre o óvulo, explica o pesquisador Thomas Crouzier, do KTH Royal Institute of Technology, que está desenvolvendo o produto.

Para chegar a esse resultado, os cientistas misturaram o muco gel com a quitosana, um tipo de polissacarídeo derivado da quitina, substância que se desenvolve nas duras camadas externas de crustáceos, como camarão e lagostim. O material aperta a barreira de malha de polímero que reveste o epitélio mucoso das cavidades do corpo.

Crouzier diz que a contracepção pode ser aplicada como uma pequena cápsula vaginal que se dissolve rapidamente. O efeito de bloqueio mostrou-se rápido e faz com que a cavidade feche em poucos minutos.

Como o material modifica apenas a camada de muco superficial, ele não produz efeitos colaterais indesejados. Os pesquisadores também trabalharam para melhorar outras propriedades das membranas mucosas, como lubrificação e hidratação.

 

Perfil de expressão gênica para carcinoma de mama e resultados do estudo TAILORx

2 julho, 2019


O uso de biomarcadores no tratamento do câncer fornece informações importantes sobre o prognóstico e pode auxiliar na decisão terapêutica, como é o caso do perfil de expressão gênica (Oncotype), que pode ser realizado em casos de carcinoma de mama ductal in situ (CDIS) e invasivo.1,2

Para o CDIS, o perfil analisa sete genes relacionados à neoplasia e cinco genes de referência, quantificando o risco de recidiva local e fornecendo informações de risco independentemente das características clinicopatológicas. Na presença de escore <39, a paciente é considerada de baixo risco para recidiva. Se o escore for de 39 a 54, o risco é intermediário e, se ≥55, de alto risco.1

No estudo de Solin e colaboradores1, o risco em dez anos de desenvolver recidiva local do CDIS foi de 10,6%, 26,7% e 25,9%, nas pacientes com risco baixo, intermediário e alto, respectivamente, e de doença invasiva de 3,7%, 12,3% e 19,2%, respectivamente. Assim, o perfil para CDIS também auxilia na escolha de pacientes que terão benefício com a radioterapia adjuvante.1

Em pacientes com câncer de mama invasivo inicial, o perfil de expressão analisa 21 genes (16 relacionados à neoplasia e 5 de referência) quantificando o escore de recidiva (ER), que fornece informações prognósticas sobre recidiva à distância e recidiva com tratamento endócrino ou benefício da quimioterapia. O ER divide as pacientes em baixo risco (0-10), risco intermediário (11-25) e alto risco (≥26). Assim, o baixo risco sugere baixa recidiva com terapia endócrina, enquanto o alto risco indica benefício da quimioterapia.2,3

O estudo TAILORx foi um ensaio de fase III randomizado, prospectivo, realizado em 10.253 mulheres de 18 a 75 anos de idade, com carcinoma invasivo de mama, receptor hormonal positivo, HER-2 negativo, linfonodos axilares negativos e tumores de 1,1-5,0cm em tamanho (ou 0,6-1,0cm na maior dimensão para tumores de grau intermediário ou alto), que realizaram o perfil de expressão genica de 21 genes. Do total da amostra, 15,9% tinha ER de baixo risco, 67,3% de risco intermediário e 16,9% de alto risco.2

Na análise do subgrupo com ER indicando baixo risco, 1.626 mulheres foram designadas a receber terapia endócrina isolada sem quimioterapia. Após cinco anos, a taxa de sobrevida livre de doença invasiva foi de 93,8%, de ausência de recidiva à distância de 99,3%, ausência de recidiva à distância ou locorregional de 98,7% e de sobrevida global de 98,0%.2

Recentemente, foram publicados os dados da análise do subgrupo de 6.711 mulheres que apresentavam ER de 11 a 25. As pacientes foram randomizadas para receber terapia endócrina isolada ou o tratamento padrão com terapia endócrina mais quimioterapia, com desfecho primário de sobrevida livre de doença invasiva.3

Os resultados mostraram que a terapia endócrina foi não-inferior à quimioterapia em relação à sobrevida livre de doença invasiva, intervalo livre de recidiva à distância, intervalo livre de recidiva e sobrevida global. Os índices de sobrevida livre de doença invasiva em nove anos foram similares nos grupos de terapia endócrina (83,3%) em comparação à terapia endócrina mais quimioterapia (84,3%), bem como as taxas de intervalo livre de recidiva à distância (94,5% vs. 95,0%), de intervalo livre de recidiva (92,2% vs. 92,9%) e de sobrevida global (93,9% vs. 93,8%), respectivamente.3

Algum benefício da quimioterapia foi encontrado apenas em mulheres com idade ≤50 anos com ER de 16 a 20 (benefício de 1,6%) e de 21 a 25 (benefício de 6,5%).3 Os resultados do TAILORx mostraram que as pacientes com carcinoma invasivo de mama receptor hormonal positivo, HER-2 negativo e linfonodos negativos que teriam indicação de quimioterapia adjuvante com base nas características clinicopatológicas, podem ser poupadas de realizar esse tratamento se apresentarem ER baixos ou intermediários no perfil de expressão de 21 genes.2,3

Referências

  1. Solin LJ, Gray R, Baehner FL, Butler SM, Hughes LL, Yoshizawa C, et al. A multigene expression assay to predict local recurrence risk for ductal carcinoma in situ of the breast. J Natl Cancer Inst. 2013 May 15;105(10):701-10.
  2. Sparano JA, Gray RJ, Makower DF, Pritchard KI, Albain KS, Hayes DF, et al. Prospective Validation of a 21-Gene Expression Assay in Breast Cancer. N Engl J Med. 2015 Nov 19;373(21):2005-14.
  3. Sparano JA, Gray RJ, Wood WC, Makower DF, Lively TG, Saphner TJ, et al. Adjuvant chemotherapy guided by a 21-gene expression assay in breast cancer. N Engl J Med. 2018 Jul 12?379(2):111-21.